Como deixei de Ser Vicentino

Como deixei de Ser Vicentino

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     A  regra da sociedade de São Vicente de Paulo diz em um de seus artigos que o confrade proclamado em assembléia, mesmo se um dia por algum impedimento de incapacidade,  ainda que não esteja freqüente nas reuniões,  continua sendo vicentino. Omite-se na regra o caso de desligamento compulsório, caso a hierarquia considere indigno o confrade de permanecer em suas fileiras. Há omissão também na forma de julgamento do excluído, sem direito de defesa, proporcionando à hierarquia condições de afastar os indesejáveis,  não se aplicando o princípio da caridade fraterna. Portanto, não havendo chance de defesa,  a hierarquia pode reinar  absoluta e realizar conluios para eliminar quem esteja fora do espírito e pensamento dos demais. Prevê a regra também, em consonância com as determinações da igreja, que não pode ser confrade a pessoa que participa de sociedades secretas. Fato estranho aconteceu certa vez quando exerci o cargo de Presidente do Conselho Central, o confrade José dos Santos apareceu com uma carta do Conselho Superior do Brasil para que fosse votado a participação e permanência de confrades de sociedades secretas. Evidentemente fui contra e não prossegui com este assunto. Mais algum tempo e surgiu na reunião, representando um conselho particular uma pessoa de nome Antonio Macedo, que diziam pertencer ou ter pertencido a uma sociedade secreta. Jose dos Santos e Antônio Macedo se tornaram muito unidos. Com o apoio dos ex-presidentes anteriores José Fontoura Assunção e Romeu Rossignoli, consegui aprovação, constante em ata, para construirmos uma casa de retiros num sitio de propriedade da SSVP. Alguns membros apoiaram, outros foram contra, e com o início da construção iniciaram também perseguições e desavenças no conselho, sendo que os dois acima citados me causaram muito aborrecimento e sofrimento. Inclusive colocaram outros contra mim e todas as minhas opiniões eram boicotadas, quer seja referente a construção ou qualquer outro assunto. Houve também o fato de que ofereci para a Irmã Ana – Coordenadora do Lar São Vicente, uma viagem para a Terra Santa, o fato da venda da gráfica são Vicente, a doação das casas da vila vicentina, a confecção de agendas, o encadernamento de livros de atas, a colocação de revestimentos nas paredes do lar São Vicente. Estranho que antes de ser eleito Presidente do Conselho o José dos santos era favorável a tudo isso e mudou completamente. Alias éramos amigos inseparáveis , sendo que ele era o Vice-Presidente. Havia o Sr Adolfo Ferreira, convertido tardiamente, que levava uma vida de muita oração, era além de vicentino carismático ardoroso e muito amigo nosso. Ele ficou com mal de Parkinson, falava com muita dificuldade e já vivia isolado em casa, com nenhuma participação na conferência, porém tinha uma vida de oração intensa. Certo dia recebemos um telefonema dele pedindo para ir a sua casa. Eu e a Luiza fomos e ele nos falou que teve uma revelação de que seríamos expulsos da SSVP, nos indicou a leitura de Jeremias – se forte e corajoso, mas não acreditamos, pois todos os nossos trabalhos iam de vento em popa. Muitos outros confrades nos auxiliaram muito e a EloÍsa com a LuÍza trabalhavam demais para ajudar na execução de tudo. E assim, a casa de retiros foi sendo construída, com orações, vigílias, doações. No local eram feitos retiros maravilhosos, onde Deus operava conversões, curas interiores, muitos jovens crescendo na fé. Foi um tempo de muito trabalho e sacrifício, víamos claramente a mão de Deus nos amparando. Não fizemos nada com maldades, ao contrario, a casa de retiros era construída com muita oração, retiros, vigílias, muita presença de Deus. Mas continuavam e intensificavam-se as perseguições. Algumas vezes, por conta dos retiros e outras atividades, eu não comparecia às reuniões do conselho metropolitano, mas tinha o apoio dos membros. Um belo dia o José dos Santos foi eleito Presidente do Conselho Metropolitano e aí, toda a sua fúria se manifestou. De amigo passou a adversário, de apoiador tornou se meu calvário. E sofri demais. Ainda houve o fato de que ele desejava trocar a igreja são Vicente com o centro catequético santa Terezinha e fui contra, causando dificuldades com o Padre Carlinhos, que mais tarde Pedi perdão…Então montaram uma comissão para falar comigo composta de líder, nada mais nada menos que Antonio Macedo. Evidente que a reunião não foi nada amigável pois, a mando do José dos santos, eu estava sendo acuado e manipulado para agir conforme seus planos. Certo dia decidimos fazer uma vigília 24 horas sem interrupção, com início às 7 horas de sábado e término 7 horas do domingo. E REZAMOS MUITO, FOI UMA VIGÍLIA ABENÇOADA. Mas ao mesmo tempo, José dos Santos convocou uma reunião com os membros do conselho metropolitano e decidiram, liderado por ele, me expulsar da SSVP. Assim, na terça feira após a vigília, recebi uma carta pelo correio, informando de minha expulsão, sem ao menos me concederem direito de defesa. Assim, vinte e dois anos de vicentino foram anulados com apenas uma reunião. E, ADIVINHEM QUEM FOI ELEITO PARA O MEU LUGAR- Antonio Macedo, Mas DEUS NÃO ME ABANDONOU E SEGUI EM FRENTE.

     Demorou muito tempo para que eu e a Luíza fôssemos curados, hoje já conseguimos aplicar o evangelho que nos manda abençoar quem nos persegue, orar pelos que nos caluniam, etc.

     OS Dons DE DEUS SÃO IRREVERSÍVEIS, o que nos foi  impedido de realizar na SSVP, foi nos dado ainda mais na comunidade Kerygma. Nosso carisma vicentino continua – ajudamos os necessitados, a Eucaristia diária e o centro de nossa espiritualidade, temos Maria santíssima como medianeira e sobretudo, vivemos na comunidade Kerygma uma vida fraterna convivendo com irmãos e irmãs  cheios do espírito santo. Foi um tempo sofrido, mas a  graça superabundou. No próximo relato vou falar das pessoas que Deus enviou para nos consolar.

Kerygma Varginha

Clínica de reabilitação para dependentes químicos em Varginha-MG.

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