Romeu Rossignoli

Romeu Rossignoli

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     A  Sociedade de São Vicente de Paulo, embora tenha sido fundada por um jovem acadêmico, é constituída em grande maioria por adultos e velhos e pessoas simples que devotam sua vida pelo ideal vicentino. Possui uma regra de funcionamento que visa propiciar a unidade, preservar o patrimônio e fazer valer a hierarquia. Por conta disto, são gastas reuniões intermináveis discutindo patrimônio, a hierarquia escondida atrás da regra, não ousa inovações e os jovens procuram atividades mais dinâmicas na igreja, como a renovação carismática e as novas comunidades. Normalmente em todas as cidades mantêm um asilo de velhos, que lhes dão credibilidade, mas são pouquíssimos membros interessados.

     Apesar de todos os problema internos, em nível de direção, as conferências  vicentinas, por seus membros mais humildes realizam um grande trabalho de caridade,  de dedicação invejável. São verdadeiros heróis da caridade visitando pobres, levando alimentos ,     remédios e conforto. Ainda hoje, depois de 15 anos fora da SSVP sinto saudades. Toda a minha formação espiritual aprendi na conferência vicentina, devendo eterna gratidão. Foram 22 anos de intenso trabalho, que não poderá ser apagado da memória. Convivi com Romeu estes 22 anos e mais 08 na Comunidade Kerygma. Não conheci outro homem tão santo como ele, nunca vi outra pessoa tão desesperada por Jesus Cristo.

     Ele era alto, muito magro, falava mansamente, vestia-se modestamente, de bigode  ( dizia que era para esconder o nariz muito grande ), um certo tempo teve cabelos compridos e barba. Estar com ele era prazeroso, salutar, era beber de uma fonte de sabedoria. Sua vida não lhe pertencia, sempre vivia para os outros. Casou-se bem maduro, teve um filho e uma filha, mas sua grande vocação não foi o matrimônio. Foi seminarista por pouco tempo, mas carregou por toda a vida o amor pela igreja, o respeito pelos padres e a dedicação  pela sociedade são Vicente de Paulo. Embora não fosse um, dedicou grande parte de seu tempo para os alcoólicos anônimos. Foi daí   que surgiu,muito mais tarde, a  idéia da casa de recuperação do kerygma. Jamais ouvi ele falar mal de alguém, fazer fofoca, dizer palavrão. Ao contrário, era meigo, gentil, conciliador e conselheiro.

     Aprendi muito com ele, foi meu amigo, irmão, padrinho de casamento, conselheiro. Não conheci homem melhor que ele, nunca vi uma pessoa tão entregue ao amor; ele viveu a santidade. Quando dos inícios da conferência Santo Afonso Maria de Ligório, em 1978 ou 1979, ainda haviam outros jovens das conferências São João Batista, São Francisco de Assis, e outras que não  me lembro tanto. Aos sábados pela manhã íamos ao mercado municipal onde ficava a sala do escritório do Conselho central apanhar as correspondências semanais. O Romeu era o Presidente do Conselho. Foi assim que nos conhecemos. No início ele me chamava de Vitinho, por causa do meu pai.

      Ele me convidou para ajudar na correspondência e assim fui aprendendo todo o funcionamento da Sociedade São Vicente de Paulo. Depois de algum tempo me convidou para o retiro de carnaval. Fizemos 33  retiros de carnaval, mais de 50 retiros de conferências e muitos cursos vicentinos juntos. Suas palestras eram maravilhosas, orações cheias de fervor, as celebrações como ministro da eucaristia eram sublimes. Nunca vi um ministro que fizesse melhor que ele, suas palestras deixavam muitos padres boquiabertos.

     Quando adoeceu, no hospital, balbuciou ao meu ouvido que não bastava tomar a cruz e seguir Jesus, que era preciso também ser  crucificado com Ele. A vida toda pregou sobre a morte do homem velho e o novo nascimento. Como eu aprendi com ele. A Luíza viveu tudo isso comigo. Não fazíamos nada sem ele.Depois de sua morte nunca encontramos outra pessoa que partilhasse nossa história e nossos sonhos. Sem ele passamos a sofrer muito m ais as fadigas do amor, passamos a viver a solidão dolorosa e a buscar na oração forças para continuar fazendo retiros e amando os sofredores.Hoje, quando estamos em retiro, sentimos uma saudade imensa de sua presença, de nossas conversas alegres, de nossas orações em comum.

Quando fazíamos retiros foram muitas aventuras, carros estragados, atolados no barro, casas velhas sem água e luz, tudo improvisado, não era como hoje que temos conforto. Mas foi assim que Deus nos formou na fé.

Pela sua vida de fé, oração, dedicação à igreja, amor aos pobres e a todos os irmãos ele foi viver na casa do Pai.

ROMEU ROSSIGNOLLI, ROGAI POR NÓS              .

Kerygma Varginha

Clínica de reabilitação para dependentes químicos em Varginha-MG.

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