Igrejas Barulhentas – Fiéis Tíbios

Igrejas Barulhentas – Fiéis Tíbios

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        Chegou um novo pároco e, na reforma da igreja, foram retirados os confessionários e as imagens. Diminuíram as confissões, nunca mais ninguém se confessou de joelhos, pensou-se que as devoções não eram mais necessárias, modernizou-se a fé.

        Na segunda troca de pároco, mais uma reforma, foi retirada a imagem de Nossa Senhora Aparecida e os quadros da via sacra foram reduzidos e colocados todos juntos nos fundos da igreja. Não se rezou mais diante de Nossa Senhora Aparecida e a via sacra perderam o valor.

         Mais um pároco, mais uma reforma. Desta vez trocaram a imagem de Jesus Crucificado por Jesus ressuscitado e o altar foi diminuído. A loucura da cruz deixou de ser anunciada e o altar foi reduzido e nem sabe se as relíquias dos santos ainda continuam incrustadas.

        Assim, a igreja foi deixando de ser um local de oração e silêncio, as homilias não mais falaram  de penitência, confissão, e devoção aos santos. Nem mesmo na quaresma as homilias falaram de jejum. Mais ainda, a fé do povo esfriou e as missas perderam o valor real. Enfim, a noção do sagrado, a reverência, o respeito à Deus foi deixado de lado. Poucos rezam ajoelhados, genuflexão nem se faz.

       Perdendo a noção do sagrado, os homens passaram a freqüentar missas de bermudas e chinelos como se fossem a praia, as mulheres de shorts minúsculos exibindo coxas como se estivessem em local profano. Aliás, tudo isso é profanação do sagrado. Os jovens vendo fotografias no celular. Uma vez repreendi uma criança por entrar de bicicleta na igreja e a mãe não gostou.

     E a igreja ficou barulhenta demais. Antes das missas muita gente falando, ministério de música ensaiando, responsáveis da liturgia falando alto demais e andando prá lá e pra cá. Não é possível rezar assim. E não são fiéis recém convertidos que agem assim, são pessoas com longo tempo de caminhada. Isto revela uma vida de oração tíbia, falta de respeito na casa de Deus. Ao final das missas de sétimo dia, nas condolências, a igreja se transforma em uma feira livre de tanto falatório. Até mesmo o pessoal da acolhida faz algazarra na porta da igreja.

      Por piedade, meus queridos padres, façam alguma coisa, gastem tempo nas homilias ensinando comportamento dentro da igreja, ensinem o pessoal da liturgia ser mais discretos, peçam para o pessoal da acolhida receber com moderação, digam aos músicos e cantores que precisamos de silêncio para rezar, peçam para os fiéis se prepararem para a missa orando no silencio, digam, por favor, que igreja é lugar de oração não de conversação.

Sebastião Diniz

Kerygma Varginha

Clínica de reabilitação para dependentes químicos em Varginha-MG.

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